Convenções
A primeira semana de convenções partidárias encerrou-se com pelo menos 51 candidaturas a governador homologadas em 23 Estados e no Distrito Federal, segundo balanço consolidado até o meio-dia deste sábado, 1º de agosto. O calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que abriu o período em 20 de julho, prevê que os encontros partidários se estendam até 5 de agosto, com o registro das candidaturas na Justiça Eleitoral podendo ser feito até 15 de agosto. O quadro, portanto, é dinâmico: a lista tende a crescer com a entrada de governadores que buscarão a reeleição e de nomes já anunciados para as disputas locais.
Quadro geral
A distribuição regional revela o peso do Nordeste, que concentra o maior número de candidaturas confirmadas até aqui, com 15 nomes. Em seguida vêm o Norte, com 12; o Sudeste, com dez; o Centro-Oeste, incluindo o Distrito Federal, com nove; e o Sul, com cinco. Rondônia, Rio Grande do Norte e Minas Gerais são as unidades com mais escolhidos — quatro em cada uma —, enquanto Amazonas, Bahia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro e Distrito Federal aparecem logo depois, com três homologações cada.
Projeção
Entre os escolhidos figuram políticos de projeção nacional, o que confere à disputa estadual uma dimensão que transcende as fronteiras locais. Ciro Gomes (PSDB), no Ceará; ACM Neto (União Brasil), na Bahia; Alexandre Kalil (PDT), em Minas Gerais; Anthony Garotinho (Republicanos) e Eduardo Paes (PSD), no Rio de Janeiro — este último o primeiro a ter a candidatura homologada, no dia 20, data de abertura das convenções; Fernando Haddad (PT), em São Paulo; e Omar Aziz (PSD), no Amazonas, compõem um mosaico que mescla caciques experientes, ex-governadores e nomes em ascensão.
São Paulo
A segunda semana deve alterar significativamente o cenário. Em São Paulo, o Republicanos realiza neste sábado (1º), no Ginásio do Ibirapuera, a convenção que oficializará a candidatura à reeleição do governador Tarcísio de Freitas, com o vice-governador Felício Ramuth (MDB) na chapa. O dado mais simbólico, porém, é outro: a Federação PSDB-Cidadania formalizará apoio a Tarcísio — a primeira vez, desde a criação do PSDB, que o partido não apresenta candidato próprio ao governo paulista — e indicou Soninha Francine (Cidadania) para o Senado. O senador Flávio Bolsonaro confirmou presença no evento, um gesto que reforça a associação entre as campanhas, embora aliados do governador defendam cautela nessa aproximação.
Pernambuco
Em Pernambuco, a convenção da Frente Popular neste sábado (1º), no Recife, homologa as candidaturas de Raquel Lyra (PSD) e João Campos (PSB), consolidando a principal disputa estadual do Nordeste. Na Bahia e no Ceará, o PT oficializa as tentativas de reeleição de Jerônimo Rodrigues e Elmano de Freitas, com Jaques Wagner e Rui Costa indicados às duas vagas ao Senado na Bahia, e Roberto Cláudio como vice e Capitão Wagner ao Senado no Ceará, na base liderada por Ciro Gomes.
Impasse
Três Estados ainda não definiram seus candidatos até o fechamento do levantamento. Na Paraíba, o impasse ocorre na Federação Psol-Rede: o Psol escolheu Olímpio Rocha no sábado (25), mas a convenção da federação, no dia seguinte, rejeitou a candidatura própria e aprovou apoio a Lucas Ribeiro, atual governador. Olímpio anunciou que recorrerá à direção nacional, e a base governista confirmou convenção conjunta entre 1º e 5 de agosto para oficializar a chapa de Lucas Ribeiro, que já recebeu apoio declarado do Podemos.
Pará
No Pará, o MDB confirmou convenção para este sábado (1º) para oficializar a candidatura da governadora Hana Ghassan, que assumiu o cargo em abril após a renúncia de Helder Barbalho — cotado para o Senado. Pesquisas Quaest e AtlasIntel apontam a governadora à frente nas intenções de voto. O partido também definiu, pela primeira vez em 20 anos, posição de neutralidade na disputa presidencial, uma decisão que sinaliza a complexidade das alianças em um ano eleitoral marcado pela polarização.
Goiás
Em Goiás, a indefinição gira em torno do vice. O governador Daniel Vilela (MDB), herdeiro político de Ronaldo Caiado — que deixou o cargo para disputar a Presidência pelo PSD —, lidera as pesquisas, mas o partido aguarda a definição do candidato a vice antes de convocar a convenção e montar a chapa. Marconi Perillo (PSDB) e Wilder Morais (PL) aparecem como principais adversários nas simulações.
Registro
A homologação em convenção é a etapa partidária do processo; a oficialização perante a Justiça Eleitoral ocorre com o registro das candidaturas, que pode ser feito até 15 de agosto. Os nomes passam então a constar no sistema DivulgaCandContas do TSE, onde ficam sujeitos à análise da Justiça Eleitoral quanto ao preenchimento dos requisitos legais. É o rito que transforma pré-candidaturas em candidaturas de fato, com todas as obrigações e constrangimentos legais daí decorrentes.

PSTU
Em paralelo ao tabuleiro estadual, o PSTU realizou sua convenção nacional na noite de sexta-feira (31), em São Paulo, e oficializou a candidatura de Hertz Dias à Presidência da República, com Vanessa Portugal na vice. Hertz Dias é professor da rede pública do Maranhão, rapper e ativista do movimento negro e, segundo o partido, “se apresenta como uma alternativa socialista e de independência de classe diante da extrema-direita e do governo Lula”. A legenda também definiu nomes para a disputa de outubro em São Paulo, incluindo candidaturas ao governo, ao Senado e à Câmara.
PSD
A duas semanas do fim do prazo para o pedido de registro, PSD e PL concentram o maior número de candidatos à frente nas pesquisas mais recentes para governador. O PSD aparece isoladamente à frente em seis Estados, e o PL, em cinco. Juntas, as duas legendas encabeçam as disputas em 11 das 27 unidades da Federação, segundo levantamento que reúne 27 pesquisas e 157 nomes testados em cenários estimulados de primeiro turno. Os dados, porém, representam uma fotografia das disputas locais e não devem ser somados nem tratados como projeção nacional.
Reeleição
Dos 18 governadores em exercício que aparecem como candidatos à reeleição no recorte comparável, 11 ocupam a primeira posição. Lideram Hana Ghassan (MDB), no Pará; Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba; Raquel Lyra (PSD), em Pernambuco; Rafael Fonteles (PT), no Piauí; Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe; Celina Leão (PP), no Distrito Federal; Daniel Vilela (MDB), em Goiás; Eduardo Riedel (PP), em Mato Grosso do Sul; Jorginho Mello (PL), em Santa Catarina; Ricardo Ferraço (MDB), no Espírito Santo; e Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo. A vantagem numérica, contudo, não significa necessariamente liderança estatisticamente isolada.
Palanques
O cruzamento das pesquisas com o mapa dos palanques presidenciais mostra equilíbrio entre Lula e Flávio Bolsonaro. Dos 28 líderes ou colíderes identificados — Alagoas tem dois nomes numericamente empatados —, nove estão alinhados ao petista e nove ao senador do PL. Ronaldo Caiado conta com dois primeiros colocados: ACM Neto (União Brasil), na Bahia, e Daniel Vilela (MDB), em Goiás. Outros sete líderes não tinham preferência presidencial definida no levantamento, o que evidencia um eleitorado estadual ainda em aberto e palanques em construção.
Primeiro turno
Amapá, Piauí e Santa Catarina apresentam os sinais mais claros de possibilidade de definição no primeiro turno, com Dr. Furlan, Rafael Fonteles e Jorginho Mello acima da metade das intenções de voto nos cenários selecionados. Ainda assim, não é possível afirmar que essas eleições terminarão no primeiro turno: para vencer sem nova votação, o candidato precisa obter a maioria absoluta dos votos válidos, excluídos brancos e nulos, e as pesquisas estão sujeitas à margem de erro e registram eleitores indecisos.
Equilíbrio tático de um disputa acirrada
A leitura conjunta dos dados de pesquisas revela um cenário de equilíbrio tático que antecipa uma disputa acirrada nas eleições gerais deste ano. O protagonismo de PSD e PL em 11 Estados não é fortuito: reflete a consolidação de duas máquinas partidárias que souberam capitalizar sobre a polarização nacional. O gesto inédito do PSDB ao apoiar Tarcísio de Freitas em São Paulo — abandonando a tradição de candidatura própria — é o sintoma mais eloquente da reconfiguração do centro político brasileiro, que parece ter escolhido o pragmatismo eleitoral em detrimento da identidade histórica.
A neutralidade do MDB pela primeira vez em duas décadas reflete no Pará, embora é claro o apoio da sigla à reeleição do presidente Lula. O equilíbrio numérico entre os palanques de Lula e Flávio Bolsonaro reforçam a tese de que as eleições estaduais de 2026 serão o verdadeiro campo de batalha, onde as alianças presidenciais serão testadas e, em muitos casos, redefinidas. A indefinição em Goiás e — Estados estratégicos — mantém o tabuleiro em aberto e confere às convenções da segunda semana um peso decisivo.
Val-André Mutran é repórter especial para o Portal Ver-o-Fato e está sediado em Brasília.
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