A recusa do Senado ao nome de Jorge Messias para o Supremo abriu uma crise silenciosa — mas intensa — entre o advogado-geral da União e o ministro Alexandre de Moraes. A tentativa de diálogo frustrada, somada às articulações atribuídas ao magistrado para barrar a indicação, elevou a tensão a um patamar inédito dentro da República.
Crocodilando pelas costas
Segundo relatos, Messias considerou “inadmissível” que Moraes tenha atuado para influenciar votos no Senado, enviando recados por interlocutores e sugerindo a parlamentares com pendências no Supremo que “refletissem” bem sobre sua posição. A leitura no governo é a de que o movimento foi decisivo para o desfecho negativo da sabatina.
Moraes é acusado de jogar sujo
O temor de Moraes, de acordo com fontes políticas, era o suposto desequilíbrio interno que a entrada de Messias poderia gerar — especialmente por reforçar o espaço de André Mendonça, relator do inquérito do Banco Master. A delação de Daniel Vorcaro, que deve ser homologada por Mendonça, pode alcançar o próprio Moraes e a advogada Viviane Barci de Moraes, que firmou contrato de R$ 130 milhões com o banco, dos quais R$ 80 milhões já teriam sido pagos.
Após a derrota, Moraes tentou contato por telefone com Messias, sem resposta. E, segundo aliados do advogado-geral, não deverá obtê-la tão cedo.
Messias cogita deixar o governo
O desgaste tornou-se tamanho que Messias comunicou ao presidente Lula a intenção de deixar a chefia da Advocacia-Geral da União. O ministro argumenta que o cargo exige interlocução frequente com integrantes do STF e do Congresso — inclusive aqueles que, segundo ele, teriam atuado contra sua aprovação: Moraes, Flávio Dino e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. A permanência tornou-se, nas palavras de auxiliares, “insustentável”.
O excesso de sabedoria de Rafael Fonteles
A perplexidade do mundo político aumentou após o governador do Piauí, Rafael Fonteles (PT), defender publicamente a reapresentação de Messias ao STF. Num post no X, Fonteles classificou a indicação como “viável”, mesmo sem ter discutido o tema com o Planalto. E foi além: sugeriu que eventuais entraves poderiam ser superados pelo próprio Senado, “modificando alguma lei”, caso necessário. A fala surpreendeu aliados e soou, nos bastidores, como um voluntarismo desconectado da realidade política do momento.

Hugo Motta manda demitir assessor de Janones após confusão no Congresso
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), exonerou o assessor Bernardo Moreira Amado Barros após ele invadir uma transmissão ao vivo da Globo News e gritar: “Anistia é o caralho. Lula reeleito”. A atitude ocorreu durante entrevista do deputado Cabo Gilberto (PL).
Demitido e indiciado
A Polícia Legislativa Federal indiciou o ex-assessor por perturbação do trabalho ou sossego alheio — contravenção penal com pena de 15 dias a 3 meses ou multa. Vídeos mostram Moreira discutindo com outras pessoas no Salão Verde e, em determinado momento, dizendo: “Seu vagabundo vai ser preso”.
Gabinete do ódio
Interpelado, ouviu acusações de “rachadinha”, em referência ao acordo firmado por Janones com a PGR para pagamento de R$ 157,8 mil por crime de peculato. O gabinete do deputado Janones é apontado como “Gabinete do Ódio”, que Auta livremente sem ser incomodado.
Apertado, assessor amarelou
Em depoimento, Moreira negou ter encostado em Gilberto e afirmou ter sido segurado “com força” pelo parlamentar, que teria batido o dedo em seu peito e prometido processá-lo. Motta justificou a demissão afirmando que o assessor era “reincidente” em confusões no Parlamento.
Pré-candidato
A esculhambação da política chega ao ponto que o sujeito é pré-candidato a deputado distrital pelo PSB. Moreira já havia protagonizado episódio semelhante ao chamar Nikolas Ferreira (PL) de “chupetinha” dentro da Câmara, enquanto gravava com o celular.
Val-André Mutran é repórter especial para o Portal Ver-o-Fato e está sediado em Brasília.
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