O rapper Dexter, na música Oitavo Anjo, canta: “Olhei um pássaro e encontrei minha verdade, compreendi o valor da liberdade”. O contexto dele era o da prisão, olhando por uma janela. Mas se ele estivesse no ônibus lotado na noite desta terça-feira (27), na Avenida Augusto Montenegro, em Belém, certamente um cavalo seria inserido no verso: o animal foi visto correndo em fuga após escapar do dono no bairro do Parque Verde.
De acordo com o relato de testemunhas, quem passava pelo local e presenciava a cena, deixava sua fé pela liberdade do cavalo morrom: “corre, corre!”, pensavam ou verbalizavam os passageiros e motoristas da ocasião.
Outra unanimidade era a interpretação sobre os sentimentos do animal, pois ele estava feliz. Alguns, mais sensíveis, afirmavam que ele estava sorrindo enquanto o vento da liberdade balançava seu pouco cabelo.
Nos vídeos gravados, não era possível ver seu dono, o que aumentava a tensão, já que ele poderia estar em qualquer lugar, aparecer de repente e acabar com a revolução animal. A liberdade cantava, mas a qualquer momento a trilha sonora poderia virar melancolia.
As testemunhas não conseguiram o desfecho da história, o que abre margem para imaginação popular. Será que ele conseguiu se libertar? Para onde foi? Conseguiu libertar outros irmãos? Construiu uma comunidade sem chicotadas e cargas pesadas? Ou a liberdade logo foi cessada? Um outro dono, talvez? Ninguém sabe.
Fato é que os presentes jamais esquecerão da noite que o cavalo sorriu enquanto a liberdade cantava em plena Augusto Montenegro.















