A sessão da Câmara dos Deputados desta quarta-feira (18), entrou para a história desta legislatura como o dia em que o Parlamento brasileiro abandonou a diplomacia de bastidor para assumir uma postura de tribunal político. Sob a presidência de Charles Fernandes (PSD-BA), o Plenário transformou-se em um epicentro de acusações que atingem, simultaneamente, o coração do Poder Judiciário e os alicerces do Poder Executivo.
O “escândalo Master” e a blindagem no STF
O centro das atenções foi o avanço das denúncias sobre o Banco Master. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) apresentou detalhes sobre contratos de R$ 129 milhões envolvendo o escritório de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, com a instituição financeira. A gravidade da acusação reside na suposta inexistência de comprovação dos serviços prestados.
Serviço prestado
O caso ganhou contornos ainda mais críticos com a revelação de um possível conflito de interesses: em maio de 2025. Jordy disse que o ministro Moraes negou um recurso de Vladimir Timerman, notório desafeto de Daniel Vorcaro (dono do Master), justamente no período em que o escritório de sua esposa mantinha um contrato de R$ 3,5 milhões mensais com o banco. Embora as regras da magistratura sejam complexas sobre impedimentos, a percepção política é de uma promiscuidade entre redes de influência e decisões judiciais. Era Moraes e não a Drª Viviane quem realizava o serviço, em acusação gravíssima.
Por que Moraes e Toffoli não se afastaram?
O senador Carlos Viana (Podemos-MG), em entrevista ao Roda Viva, vocalizou o sentimento das alas oposicionistas e das conversas nas ruas ao sugerir que tanto o ministro Alexandre de Moraes quanto Dias Toffoli deveriam se afastar de suas funções até a conclusão das investigações do caso Banco Master. Quem responde é a torcida do Flamengo e do Corinthians: “não se afastam porque não há ser vivo na terra que o faça. Talvez Trump”, tiram sarro, centenas de memes que circulam na redes sociais, desmoralizando de vez os dois ministros.
Coveiro e Exterminador
Moraes e Toffoli, de acordo com memes que circulam nas redes sociais são: o Coveiro da Lava-Jato e o Exterminador de Bolsonaristas, respectivamente. É a desmoralização na boca do povo.
Ramificações na Bahia e no Planalto
A oposição não poupou o governo. A narrativa de corrupção estrutural agora conecta acusa o senador Jaques Wagner— líder do governo no Senado e Rui Costa — o mau humorado ministro-chefe da Casa Civil, citados por envolvimento no esquema Credcesta.
Família Wagner
A acusação de que a nora do senador, Bonnie de Bonilha, teria sido contratada para prospectar negócios para Vorcaro é outra revelação inédita.
Caso INSS
A sombra do “careca do INSS” e a suposta menção ao filho do Presidente da República elevam a temperatura no Palácio do Planalto.
O grito do Campo e o alerta das estradas
Enquanto Brasília debatia processos judiciais, o setor produtivo sinalizava um colapso iminente. O deputado Heitor Schuch (PSB-RS) alertou que a combinação de eventos climáticos extremos e a instabilidade no Oriente Médio (guerra no Irã) tornou o custo da logística proibitivo.
Ponto crítico
A disparidade no preço do diesel e a ineficácia dos subsídios fiscais (PIS/Cofins) colocaram os caminhoneiros em pé de guerra. A ameaça de uma greve nacional é real e, se concretizada, pode paralisar o abastecimento de itens essenciais como leite, arroz e soja, gerando uma crise de desabastecimento em pleno ano eleitoral.
Entre ideologias e consensos
O plenário também refletiu as fraturas sociais do país:
Escala 6×1– A proposta de Erika Hilton (PSOL-SP) enfrenta resistência ferrenha de Bibo Nunes (PL-RS), que alerta para o risco de quebra em massa de pequenas empresas, notadamente a indústria sem chaminé: o Turismo.
Pautas de gênero – A liderança da Comissão da Mulher gerou embates sobre representatividade biológica, com Luisa Canziani (PSD-PR) defendendo que certas pautas femininas pertencem intrinsecamente à mulher biológica.
Luz no fim do túnel
Em um raro momento de convergência, o ECA Digital avançou como medida protetiva para menores na rede. Já a PEC 47/2023 trouxe esperança de segurança jurídica para servidores de ex-territórios federais. Conhecida como PEC da Transposição, tem como objetivo incluir nos quadros da administração pública federal os servidores e trabalhadores que mantiveram vínculo com os ex-territórios federais de Amapá, Roraima e Rondônia e lá se vão, veja a conta: promulgação da Constituição de 1988-2026 =-38 anos. O Brasil trabalha contra o Brasil.
O risco da governabilidade
O cenário para o restante de 2026 é de instabilidade prolongada. A blindagem judicial que sustenta o atual arranjo de poder está sob o seu mais severo teste de estresse. Se o governo não conseguir aplacar a fúria do agronegócio e impedir a paralisação dos caminhoneiros, a crise política nos gabinetes será atropelada pela realidade das prateleiras vazias. O “acordão” institucional, outrora sólido, hoje parece um castelo de cartas sob fogo cruzado.
Val-André Mutran é repórter especial para o Portal Ver-o-Fato e está sediado em Brasília.
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