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Home Cultura

A assombrosa morte do fundador do Seminário Católico de Belém

Oswaldo Coimbra por Oswaldo Coimbra
15/03/2026
in Cultura
A assombrosa morte do fundador do Seminário Católico de Belém

Padre Gabriel Malagrida

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*Oswaldo Coimbra é escritor e jornalista

Os poderosos jesuítas do Gram-Pará vinham cogitando da criação de um seminário, desde o ano de 1679.

Teria um profundo significado, para eles, a implantação de uma escola de formação de padres no Gram-Pará.

Pois possibilitaria que cidadãos paraenses se integrassem ao privilegiado clero português.

Em 1679, porém, a expectativa que os católicos do povoado de Belém tinham do surgimento de um seminário era a limitada à possibilidade de eles acharem uma solução para a dificuldade sentida pelos religiosos, na formação dos filhos dos colonos portugueses brancos, dentro da moral cristã.

Um dificuldade criada pelo convívio dos jovens, dentro de suas casas, com índias que serviam às suas famílias.

Não porque a condição desumana e anticristã delas os escandalizassem.

Mas, porque as índias trabalhavam nuas.

De qualquer forma, naquela ocasião nada pode ser feito.

Mas, os jesuítas pertenciam a uma ordem que não se curvava, no Gram-Pará, diante de nenhum impedimento. Fosse ele qual fosse. Mesmo que criado por colonos portugueses, por representantes da Corte, ou até por autoridades da própria Igreja Católica.

Porque a Companhia de Jesus tinha um objetivo pretencioso, o de implantar no Gram-Pará uma sociedade teocrática que se estenderia através do Rio da Prata até a Colônia do Sacramento, perto de Buenos Aires. 

A obstinação com que os jesuítas levavam adiante a busca deste objetivo não lhes permitia preocupação com conforto ou privilégios pessoais.

Eles viviam modestamente, mas enriqueceram a Companhia de Jesus, no Gram-Pará.

E despertaram generalizada animosidade contra ela.

Quarenta e um anos depois, em 1720, a ideia da criação do seminário foi retomada pelo padre Jacinto de Carvalho autor de “Fragmento de Uma Crônica da Companhia de Jesus no Maranhão”.

Carvalho tinha sido enviado à corte, como frequentemente ocorria, por causa dos conflitos em que se metiam os jesuítas, para dar explicações aos membros do Conselho Ultramarino Português.

E para informar sobre as atividade da ordem no Gram-Pará.

De lá, ele escreveu para o padre Manuel de Seixas, superior da missão jesuítica no Gram-Pará:

“Da missão, dos gentios, dos cristões, dos trabalhos que padecíamos, de tudo, informei a todos, com muita invidação (empenho). E, de modo próprio, sem o pedir, resolveram fazer uma proposta a El Rei para que mandasse fundar um seminário de índios, e, para (o senhor) que escrevesse a nosso reverendo padre (Superior-geral da ordem) que mandasse sujeitos (religiosos) para essas missão, e, para que nos acrescentassem rendas (àquilo que já era mandado). A proposta subiu acima onde esteve até agora, para onde El – Rei a remeteu. Mas agora, como se levantou, de novo, (por) esta junta (esta possibilidade) espero que (o rei) mandará fundar o seminário”.

Na verdade, os jesuítas não tinham pensado em admitir índios como alunos do seminário.

Apenas, filhos dos colonos brancos do povoado.

Padre Jacinto de Carvalho, no entanto, deixou que a iniciativa do conselho tivesse curso, limitando-se somente a ironizá-la na carta a seu superior.

Com a soberba do colonizador português, escreveu:

“Bem sei que todos se hão de rir de intentar, de querer criar índios para sacerdotes. Mas, este seminário, quando se faça, sempre é para crédito da Companhia de Jesus. E, quando os índios não sirvam para sacerdote, servirão para catequizar e criar-se-ão de forma que os brancos não zombem deles”.

Nem desta vez, porém, se tornou realidade a idéia “generosa e clarividente para formação da juventude e do clero oriundo da própria terra”, como a avaliou o padre jesuíta historiador Serafim Leite, na sua “História da Companhia de Jesus no Brasil”.

Mas não morreu.

Vinte e nove anos depois, em 1749, o seminário foi aberto, como o nome de Seminário Nossa Senhora das Missões.

O mérito pela concretização da antiga idéia era da mais dramática figura da História da Companhia de Jesus no Gram-Pará, o padre Gabriel Malagrida, um dos protagonistas do último momento da ordem, na região.

Malagrida, italiano de Milão, àquela altura com 60 anos de idade, havia entrado para a ordem dos jesuítas na sua juventude. E, desde seus 34 anos, vinha trabalhando como missionário no Brasil.

Primeiro numa tribo indígena do Maranhão. Depois, já transformado num pregador místico, nos sertões da Bahia, de Pernambuco, da Paraíba. Sempre pregando em retiros espirituais. E tomando iniciativas de fundação de Conventos e Seminários.

Malagrida era um missionário de alma simples, voltado ao sacrifício e ao ascetismo, que, movido por uma fé exaltada, fazia longos percursos a pé, em perigrinações pelo Brasil, assim o descreveu o respeitado historiador português João Lúcio de Azevedo, em sua obra “Os jesuítas no Gram-Pará – suas missões e a colonização”.

Ele, para fazer o seminário de Belém funcionar, teve de conviver com outros dois outros personagens do ato final da trágica passagem dos jesuíta pelo Gram-Pará.

Um protagonista importante, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, governador do Gram-Pará, desde de 1751.

Ele era meio irmão de Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, poderosissimo Secretário de Negócios Estrangeiros e de Guerra do reino português.

O outro,  personagem secundário, o bispo do Gram-Pará, frei Miguel de Bulhões.

Com o bispo, o convívio de Malagrida nunca foi fácil.

Por causa de antiga pendenga que Bulhões tinha com a Companhia de Jesus, o bispo fez o que pode para dificultar a instalação do seminário.

Para fazer isto, se valia de uma antiga determinação dada pelo Concílio de Trento, convocado pelo Papa Paulo III, cerca de 200 nos antes, no sentido de que as escolas de formação de padres ficassem sob a jurisdição dos bispados.

Malagrida, porém, conseguiu demover o bispo de suas intransigências.

Conta Serafim Leite que ele apelou para um religioso – Aleixo Antônio – muito estimado pelo bispo, e, que, graças à intervenção do religioso, “Bulhões desceu-se algum tanto de suas exigências”.

Malagrida, em seguida, angariou no povoado 4.431$081 réis, e, obteve do rei 200 mil réis anuais para o seminário.

Comprou, então, as primeiras casas onde o seminário iria funcionar, na Rua do Açougue (atual Gaspar Viana), próximas do Convento de Santo Antônio, no bairro de Campina.

Ali, no dia 16 de junho de 1749, o bispo Bulhões, depois de obstacularizar o seu surgimento seminário,  presidiu as festividades da sua fundação.

No seminário puderam estudar, em média, na época, entre 30 e 40 alunos.

Nos primeiros anos de seu funcionamento, o governador Mendonça Furtado pareceu amistoso.

Furtado chegou à colônia no dia 26 de junho de 1751, trazendo consigo uma imagem de Nossa Senhora das Missões, igual a que Malagrida sempre carregava consigo,.

 E, fez questão de levá-la, acompanhado de outra autoridade do Estado, até o colégio dos jesuítas.

Por 10 anos, isto é, até 1759, o seminário permaneceu naquelas casas do bairro de Campina.

Depois, foi transferido para outras casas, na atual Rua Padre Champagnat, com fachadas voltadas para o Largo do Palácio.

E, ali. esteve até os jesuítas saírem da região pouco mais de um ano depois.

Uma destas casas, um sobrado, construído pelos jesuítas, tinha seis salas, três no andar térreo, três no superior.

Os jesuítas começaram a fazer mais duas salas no térreo, mas também não tiveram tempo de conclui-las.

Pegadas ao sobrados, havia duas outras casas, doadas pelo morador Antônio da Costa, com três salas maiores.

Numa, funcionava o refeitório; em outra, a dispensa; e, na terceira, o setor administrativo do seminário.

As casas dispunham de quintais com árvores frutíferas e poço.

Quando os jesuítas já não estavam mais no Gram-Pará, o seminário foi transferido para o interior do conjunto monumental arquitetonico levantado pelos jesuítas, em Belém, onde passou a ocupar um pavilhão inteiro.

E, lá se manteve, por muitos anos.

Malagrida, anos depois de fundar o seminário de Nossa Senhora das Missões, em Belém, recebeu da corte portuguesa, um alvará que lhe permitia erigir outros seminário, em qualquer parte da América.

O alvará dizia que o rei, “em razão dos dízimos que cobra”, se sentia na obrigação de levantar um seminário em cada diocese do Brasil, oferecendo para isso facilidades fiscais.

Com a autoridade que lhe dava o alvará, Malagrida mostrou-se incansável.

Implantou seminário também no Maranhão. E, na Bahia deixou um dos dois recolhimentos para mulheres criados por ele.

Mas, aquele era o período da Revolução Francesa, quando alterações radicais ocorreram na História da Humanidade. Houve a ascensão de uma nova classe social, a da burguesia. E ela estava interessada no desenvolvimento das ciências que favorecessem o aumento de seus lucros.

Com isto, uma nova mentalidade emergiu nos centros de poder da Europa. Em detrimento da importância da Escolástica, a produção filosófica da Idade Média, que havia garantido o domínio católico sobre aquele continente.

E era rigidamente defendida pela Companhia de Jesus.

Um gigantesco processo de mudança social-econômico-político estava se desenrolando.

E ele logo chegaria a Portugal, e, ao Gram-Pará.

Aquelas transformações permitiram que finalmente desabasse sobre os jesuítas do Gram-Pará todo o ódio acumulado pelo comportamento arrogante que eles adotavam. .

A atitude do governador Mendonça Furtado já não era a mesma. 

Naquele momento – final de década de 50, do século XVIII – o governador se juntou ao bispo para atrapalhar a atividade de Malagrida. 

O padre quis fundar um outro seminário, em Cametá.

O governador conseguiu impedi-lo. O alvará dado a Malagrida pelo rei perdera sua força..

O padre, quis, então, instalar em Belém um abrigo para  moças.

Foi a vez do bispo detê-lo.

Fora do alcance do poder de Furtado e de Bulhões, Malagrida havia iniciado, no Rio de Janeiro, a criação de outro seminário.

Mas dele, o próprio Malagrida desistiu,  quando recebeu um pedido da rainha-mãe, Mariana da Aústria, uma piedosa católica, para juntar-se à corte dela.  

Malagrida foi para Portugal, atendê-la.

Porém, a rainha morreu, e, ele ficou entregue à sanha dos inimigos da Companhia de Jesus.

Naquele momento, o Marquês de Pombal, com a enorme força que lhe dava o cargo de Secretário de Estado do Reino de Portugal, cobrava de todos os religiosos a superação da Escolástica, considerada como doutrina ultrapassada.

Dos jesuítas, em particular, Pombal exigia o fim da dependência absoluta em relação aos superiores da ordem.

E contra Malagrida, Pombal alimentava um ódio especial.

Porque ele o criticava, acusando-o abertamente de perseguição aos jesuítas do Gram-Pará.

E pior ainda: o padre sustentava publicamente que Lisboa foi quase destruída por um terremoto, porque Deus quis castigar os portugueses por aquela perseguição.

Malagrida foi confinado em Setúba.

Logo, surgiu uma grande oportunidade para Pombal se vingar completamente dele.

No dia 3 de Setembro de 1758, o mulherengo rei de Portugal, Dom José I, sofreu um atentado, numa de suas aventuras noturnas.

Voltava de um encontro amoroso clandestino com dona Tereza de Távora, mulher de Luís Bernardo, Marquês de Távora, quando foi alvo de tiros, disparados por três cavaleiros.

Dom José foi atingido no braço e na anca direita, mas salvou-se.

Pombal foi encarregado por ele de descobrir e castigar de forma exemplar quem tentara matá-lo.

O Duque de Aveiro e Tereza foram presos.

Pombal usou o fato de o casal ter tido contato com Malagrida, antes do atentado, para incriminar os jesuítas, alegando que eles tinham participado de uma conspiração contra o rei.

As casas dos jesuítas em Lisboa foram cercadas pelas tropas portuguesas.

Seus bens em Portugal, sequestrados. Por fim, a Companhia de Jesus foi expulsa de Portugal.

Retido na prisão, Malagrida enlouqueceu. Passou a ter visões e a escrever sobre elas.

Pombal, então, voltou toda sua ira contra ele.

Conseguiu que os textos tresloucados de Malagrida fossem declarados heréticos, contando com a cumplicidade do teólogo francês Abade Platel. 

Malagrida, naquele estado de insanidade, foi obrigado a responder a interrogatórios do Santo Ofício, também já a serviço de Pombal.

Os inquisidores acusaram oficialmente Malagria de heresia.

Na peça de acusação, ainda inseriram uma requintada crueldade moral contra o padre.

Acusaram-no também de se masturbar, na prisão.

 O Tribunal da Inquisição se reuniu para a leitura da sentença final.

Malagrida foi condenado à morte, por garrote, seguida de queima do corpo, em fogueira.

O espirito de Malagrida vagava longe de seus acusadores.

Azevedo o descreve, naquele momento:

“Sentado, de cabeça baixa, os cotovelos fincados nos joelhos, as mãos enclavinhadas à altura do rosto, imóvel, silencioso, parecia alheio a tudo que se lhe passava entorno”.

Sua execução foi marcada para o dia 20 de Setembro de 1761.

Uma multidão se reuniu para assisti-la.

Estavam presentes também autoridades religiosas de outros países e quase todos os diplomatas estrangeiros de Lisboa.

Ninguém podia se manifestar durante a cerimônia. Para garantir isto o governo português mobilizou força militar.

Malagrida se preparou, sem parecer ter consciência de seus gestos.

Risonho, vestiu os paramentos usados pelos religiosos em solenidades católicas.

O arcebispo da cidade grega Lacedemonia, capital da antiga Esparta, tinha preparado uma última ofensa.

Arrancou os paramentos de Malagrida.

E, numa atitude excessiva, até mesmo para a Santa Inquisição, tirou-lhe, também, a batina de jesuíta.

A sentença foi cumprida inteiramente.

As cinzas do corpo do padre foram espalhadas pelos ventos.

English translation (tradução para o inglês)

The Astonishing Death of the Founder of the Catholic Seminary of Belém

*Oswaldo Coimbra is a writer and journalist

The powerful Jesuits of Grão-Pará had been considering the creation of a seminary since the year 1679. For them, the establishment of a school for the training of priests in Grão-Pará would have had profound significance, for it would have made it possible for citizens of Pará to join the privileged Portuguese clergy.

In 1679, however, the expectation that the Catholics of the settlement of Belém had regarding the emergence of a seminary was limited to the possibility that it might solve a difficulty faced by the religious authorities: the formation of the sons of white Portuguese colonists within Christian morality.

The difficulty arose from the fact that the young men lived in close contact, inside their homes, with Indigenous women who served their families—not because their inhumane and anti-Christian condition shocked the colonists, but because the Indigenous women worked naked.

In any case, nothing could be done at that moment.

Yet the Jesuits belonged to an order that did not bow, in Grão-Pará, before any obstacle whatsoever—even if it was created by Portuguese colonists, by representatives of the Crown, or even by authorities of the Catholic Church itself.

The Society of Jesus had an ambitious objective: to establish in Grão-Pará a theocratic society that would extend through the Río de la Plata to Colonia del Sacramento, near Buenos Aires.

The determination with which the Jesuits pursued this objective did not allow them to concern themselves with comfort or personal privileges. They lived modestly, but they enriched the Society of Jesus in Grão-Pará, and in doing so aroused widespread hostility toward it.

Forty-one years later, in 1720, the idea of creating the seminary was revived by Father Jacinto de Carvalho, author of Fragmento de Uma Crônica da Companhia de Jesus no Maranhão.

Carvalho had been sent to the royal court—as often happened because of the conflicts in which the Jesuits became involved—to give explanations to the members of the Portuguese Overseas Council and to report on the activities of the order in Grão-Pará.

From there he wrote to Father Manuel de Seixas, superior of the Jesuit mission in Grão-Pará:

“Of the mission, of the Indians, of the Christians, of the hardships we endured, of everything I informed them, with great zeal. And, in their own way, without my asking, they resolved to make a proposal to the King that he should order the founding of a seminary for Indians, and that you should write to our Reverend Father (the Superior General of the order) so that he might send men for these missions, and that our revenues might be increased. The proposal went upward, where it has remained until now, to where the King sent it. But now that this matter has been raised again, I hope that the King will order the seminary to be founded.”

In truth, the Jesuits had not thought of admitting Indians as students in the seminary—only the sons of white colonists of the settlement.

Father Jacinto de Carvalho, however, allowed the council’s initiative to proceed, limiting himself to ironically commenting on it in his letter to his superior. With the arrogance typical of the Portuguese colonizer, he wrote:

“I know well that everyone will laugh at the attempt to raise Indians to the priesthood. But this seminary, if it comes into being, will always bring credit to the Society of Jesus. And if the Indians do not serve as priests, they will serve to catechize, and they will be raised in such a way that the whites will not mock them.”

Yet even this time the “generous and farsighted idea for the formation of youth and clergy originating from the land itself,” as the Jesuit historian Serafim Leite later described it in his História da Companhia de Jesus no Brasil, did not become reality. But the idea did not die.

Twenty-nine years later, in 1749, the seminary was finally opened under the name Seminário Nossa Senhora das Missões. The merit for the realization of the old plan belonged to the most dramatic figure in the history of the Society of Jesus in Grão-Pará: Father Gabriel Malagrida, one of the protagonists of the order’s final moment in the region.

Malagrida, an Italian from Milan, was by then sixty years old. He had joined the Jesuit order in his youth and, since the age of thirty-four, had worked as a missionary in Brazil. First among an Indigenous tribe in Maranhão, and later—already transformed into a mystical preacher—in the backlands of Bahia, Pernambuco, and Paraíba. He preached constantly at spiritual retreats and took initiatives to found convents and seminaries.

Malagrida was a missionary of simple soul, devoted to sacrifice and asceticism, who, moved by an exalted faith, made long journeys on foot in pilgrimages across Brazil. Thus he was described by the respected Portuguese historian João Lúcio de Azevedo in his work Os Jesuítas no Grão-Pará: suas missões e a colonização.

In order to make the seminary of Belém function, Malagrida had to coexist with two other figures who would also play roles in the final act of the tragic history of the Jesuits in Grão-Pará.

One was the important protagonist Francisco Xavier de Mendonça Furtado, governor of Grão-Pará since 1751 and half-brother of Sebastião José de Carvalho e Melo, the Marquis of Pombal, the extremely powerful Secretary of State for Foreign Affairs and War of the Portuguese kingdom.

The other was a secondary figure: the bishop of Grão-Pará, Friar Miguel de Bulhões.

Malagrida’s relationship with the bishop was never easy. Because of an old quarrel that Bulhões had with the Society of Jesus, the bishop did what he could to hinder the installation of the seminary. To justify his opposition, he invoked a decree issued by the Council of Trent—convoked by Pope Paul III nearly two hundred years earlier—determining that schools for the training of priests should remain under the jurisdiction of the dioceses.

Malagrida, however, managed to soften the bishop’s resistance. Serafim Leite recounts that he appealed to a religious man—Aleixo Antônio—who was greatly esteemed by the bishop and that, thanks to this intervention, “Bulhões descended somewhat from his demands.”

Malagrida then collected 4,431$081 réis in the settlement and obtained from the king an annual subsidy of 200,000 réis for the seminary.

He bought the first houses where it would function, on Rua do Açougue (today Gaspar Viana), near the Convent of Santo Antônio, in the neighborhood of Campina. There, on June 16, 1749, Bishop Bulhões—after having obstructed its creation—presided over the festivities marking the seminary’s foundation.

On average, between thirty and forty students studied there in those early years.

During the first years of its operation, Governor Mendonça Furtado appeared friendly toward the initiative. He arrived in the colony on June 26, 1751, bringing with him an image of Our Lady of the Missions identical to the one Malagrida always carried with him, and he insisted on taking it—accompanied by another authority of the state—to the Jesuit college.

For ten years, until 1759, the seminary remained in those houses in the Campina district. Later it was transferred to other houses on what is today Rua Padre Champagnat, with façades facing Largo do Palácio, where it remained until the Jesuits left the region a little more than a year later.

One of these houses, a two-story building constructed by the Jesuits, had six rooms—three on the ground floor and three on the upper floor. The Jesuits began to build two more rooms on the ground floor but did not have time to finish them.

Attached to the building were two other houses donated by the resident Antônio da Costa, containing three larger rooms. One served as the refectory, another as the pantry, and the third as the administrative sector of the seminary. The houses had backyards with fruit trees and a well.

After the Jesuits were no longer in Grão-Pará, the seminary was transferred to the interior of the monumental architectural complex built by the Jesuits in Belém, where it came to occupy an entire pavilion and remained there for many years.

Years after founding the Seminary of Our Lady of the Missions in Belém, Malagrida received from the Portuguese court a royal decree that allowed him to erect other seminaries anywhere in America. The decree declared that the king, “in view of the tithes he collects,” felt obliged to establish a seminary in each diocese of Brazil, offering fiscal advantages for that purpose.

With the authority granted by the decree, Malagrida proved tireless. He founded a seminary in Maranhão as well, and in Bahia he left one of the two women’s retreats he had created.

But that was the period in which profound transformations were occurring in the history of humanity. A new social class—the bourgeoisie—was rising, and it was interested in the development of sciences that would increase its profits.

A new mentality therefore emerged in the centers of power in Europe, to the detriment of Scholasticism, the philosophical production of the Middle Ages that had guaranteed Catholic dominance over the continent and that was rigidly defended by the Society of Jesus.

A gigantic process of social, economic, and political change was unfolding. Soon it would reach Portugal—and Grão-Pará.

These transformations allowed the accumulated hatred toward the Jesuits of Grão-Pará, generated by the arrogant behavior attributed to them, finally to erupt. Governor Mendonça Furtado’s attitude was no longer the same. By the end of the 1750s he joined the bishop in obstructing Malagrida’s activities.

Malagrida attempted to found another seminary in Cametá, but the governor managed to prevent it. The royal decree granted to Malagrida had lost its force. The priest then tried to establish a shelter for young women in Belém. This time the bishop stopped him.

Beyond the reach of Mendonça Furtado and Bulhões, Malagrida had begun to create another seminary in Rio de Janeiro. Yet he himself abandoned the project when he received a request from the queen mother, Mariana of Austria, a devout Catholic, asking him to join her court.

Malagrida went to Portugal to serve her. But the queen died, and he found himself exposed to the fury of the enemies of the Society of Jesus.

At that moment the Marquis of Pombal, wielding the immense power granted by his position as Secretary of State of the Portuguese kingdom, demanded that all religious orders abandon Scholasticism, which he considered an outdated doctrine.

From the Jesuits in particular he demanded the end of their absolute dependence on the superiors of their order.

Against Malagrida Pombal nourished a special hatred. The priest criticized him openly, accusing him of persecuting the Jesuits of Grão-Pará. Worse still, Malagrida publicly declared that Lisbon had almost been destroyed by an earthquake because God wished to punish the Portuguese for that persecution.

Malagrida was confined in Setúbal. Soon afterward an opportunity arose for Pombal to take complete revenge on him.

On September 3, 1758, the womanizing king of Portugal, Dom José I, suffered an attack during one of his nocturnal adventures. He was returning from a clandestine amorous meeting with Dona Teresa de Távora, wife of Luís Bernardo, Marquis of Távora, when he was fired upon by three horsemen.

Dom José was struck in the arm and in the right hip but survived. Pombal was charged with discovering and punishing those responsible for the attempt on the king’s life.

The Duke of Aveiro and Teresa were arrested. Pombal used the fact that the couple had had contact with Malagrida before the attack to incriminate the Jesuits, claiming that they had participated in a conspiracy against the king.

The Jesuit houses in Lisbon were surrounded by Portuguese troops. Their property in Portugal was seized, and finally the Society of Jesus was expelled from the country.

Held in prison, Malagrida lost his sanity. He began to have visions and to write about them. Pombal then turned all his fury against him. He succeeded in having Malagrida’s delirious writings declared heretical, with the complicity of the French theologian Abbé Platel.

In that state of madness Malagrida was forced to answer interrogations by the Holy Office, which was already acting in the service of Pombal. The inquisitors formally accused him of heresy. In the indictment they added a particularly cruel moral humiliation: they also accused the priest of masturbating in prison.

The Tribunal of the Inquisition assembled for the reading of the final sentence. Malagrida was condemned to death by garrote, followed by the burning of his body.

Malagrida’s spirit seemed far removed from his accusers. Azevedo described him at that moment:

“Seated, head lowered, elbows resting on his knees, hands clasped at the level of his face, motionless and silent, he seemed unaware of everything that was happening around him.”

His execution was scheduled for September 20, 1761. A large crowd gathered to watch it. Religious authorities from other countries were also present, as were nearly all the foreign diplomats in Lisbon.

No one was allowed to speak during the ceremony. To ensure this, the Portuguese government mobilized military forces.

Malagrida prepared himself without appearing to be conscious of his actions. Smiling, he dressed in the vestments used by priests during Catholic solemnities.

The archbishop of the Greek city of Lacedaemonia, capital of ancient Sparta, prepared a final insult. He tore the vestments from Malagrida and, in an act excessive even for the Holy Inquisition, removed his Jesuit cassock as well.

The sentence was carried out in full.

The ashes of the priest’s body were scattered to the winds.

(Illustration: Father Gabriel Malagrida)

Tags: A assombrosa morteBelém PADestaquefundador do Seminário Católico
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Oswaldo Coimbra

Oswaldo Coimbra

Oswaldo Coimbra é escritor, jornalista e pesquisador.

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