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Home Famosos

30 anos sem Mamonas Assassinas: relembre sucesso e tragédia

Jorginho Neves por Jorginho Neves
02/03/2026
in Famosos
30 anos sem Mamonas Assassinas: relembre sucesso e tragédia
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Foram mais de 150 shows em cerca de 180 dias. Quase 2 milhões de álbuns vendidos em pouco menos de um ano, e 25 mil exemplares comercializados em apenas 12 horas. Como um meteoro, os Mamonas Assassinas quebraram recordes e marcaram para sempre a música brasileira. Símbolo de gerações, e paixão de uma legião de fãs, a banda nos deixou há exatos 30 anos, em 2 de março de 1996, em um acidente aéreo que deixou uma nação consternada.

Dinho, Bento, Júlio, Sérgio e Samuel partiram de repente, jovens, no auge, expressando e causando aquela vontade de “quero mais”. Tamanho é o legado que 30 anos depois, os músicos ainda tocam nas rádios, são citados nas emissoras de TV e se consolidaram no imaginário e na saudade do brasileiro, sentimento que tem maior intensidade no peito de quem viu de perto os artistas crescerem e se reinventarem.

“Ele sempre foi, assim, voltado a ser artista, a ser cantor. É a vida que ele fazia”, disse Hildebrando Alves, pai de Alecsander Alves, o Dinho, sobre a infância do filho.

A
“Desde criança ele falava: ‘eu vou ser famoso, eu vou ser cantor, eu vou ser um artista’”, lembrou Célia Alves, mãe do eterno vocalista dos Mamonas.

Formado musicalmente no rock, Dinho mostrou o dom que tinha para compor e seu poder de reinvenção quando a antiga banda Utopia foi transformada em Mamonas Assassinas, com o apoio do produtor Rick Bonadio.

“Eu falava para ele que essas músicas são para tocar para cabrito, que só pulam”, brincou Hildebrando sobre o estilo musical adotado pelos Mamonas. Para ele, o filho era bom mesmo em cantar sertanejo.

O estilo musical, muito mais tradicional do que aquele que o Brasil ouviu em faixas como Vira Vira e Pelados em Santos, também é o favorito de Ito Reoli, pai de Sérgio e Samuel. Foi a influência dele, aliás, que colocou os meninos no caminho da música.

“Na minha casa sempre tinha viola, violão, sanfona, pandeiro, cavaquinho. Não aprendi a tocar bem, mas eu gostava de tocar. E os meninos começaram daí. Aos 9 anos de idade, o Sérgio já tocava violão, fazia os primeiros acordes. E a vida foi isso: nascer e crescer no meio de instrumentos musicais”, relatou o aposentado.

O começo
Ito contou que quando a história dos Mamonas Assassinas começou, Sérgio já estava lá. O baterista, no entanto, esteve anteriormente em outro grupo, o Ponte Aérea, antes de tudo começar, como lembrou a irmã mais velha dele, Sueli Reoli.

Foi Maurício Hinoto, irmão mais velho do Bento, que uniu o caçula aos irmãos Reoli. A sugestão aconteceu por acaso, em uma conversa de trabalho, mas foi promissora o suficiente para formar a banda Utopia. Em seguida, chegaram Júlio Cesar, ou Júlio Rasec, e Dinho, completando a formação.

A Utopia fazia covers de bandas clássicas, como Guns and Roses, e tocava um rock progressivo, bem diferente das canções que projetaram os artistas anos depois. Foram muitos os “nãos” naquela época, seja para tocar em uma casa de shows em Guarulhos ou para gravar um LP, o que aconteceu depois de muita resistência, e vendeu apenas cerca de 100 cópias na época.

Para quem conheceu os Mamonas no auge, pode ser difícil acreditar que os músicos batalharam muito antes de ter algum reconhecimento. “Foram sete anos de luta para alcançar o sucesso”, apontou Célia.

Quando os músicos equilibraram irreverência, criatividade e bom-humor, criando o Mamonas como o Brasil conhece, o sucesso foi certeiro. “Eu me senti muito feliz, achei um barato, achei muito bom o trabalho que eles começaram a fazer”, contou Ito.

Sucesso meteórico
A partir daí, no fervoroso ano de 1995 no Brasil, os Mamonas não pararam mais. Uma agenda cheia, com compromissos na TV, nas rádios e nos palcos, além do assédio frequente dos fãs, se tornou a nova rotina dos cinco meninos que sonhavam em fazer música em Guarulhos.

A rotina, cada vez mais apressada, acendeu alguns alertas às famílias. “A gente se preocupava sempre com as viagens e os riscos de vida. Pessoa que viaja muito, corre risco.

Mas eles levavam numa boa. “Às vezes eram dois, três shows no mesmo dia. Eles estavam se habituando a levar uma vida corrida”, contou Célia.

Após os shows, era hora de lidar com uma multidão de fãs, que iam até as casas dos músicos, especialmente do Dinho, demonstrar o seu amor. “Eu acordava na minha casa com 300 fãs na minha porta esperando ele chegar”, disse a mãe do vocalista.

Segundo ela, o músico fazia questão de atender aos admiradores. Ele ia para sacada da casa, de onde dava “tchauzinho”. Quando podia, ia até a calçada e distribuía autógrafos. “Nunca desfez de ninguém”, contou Célia.

O sucesso dos meninos, mas especialmente de Dinho, era maior entre as fãs mulheres, que viam no vocalista um verdadeiro “partidão”. “Eu tenho uma cunhada pelo Brasil inteiro, né? Tenho até hoje”, brincou Grace Alves, irmã caçula do músico.

A família Reoli descreveu a admiração que sentiu ao ver os meninos fazendo sucesso nas paradas. “[Sentimos] orgulho, a família toda: eu, meu pai, minha mãe, meus parentes, primos, primas, todo mundo orgulhoso”, afirmou Sueli.

A irmã de Sérgio e Samuel também lembrou da velocidade com que aquela fase passou. “Foi tão rápido… até hoje a gente fala: ‘nossa, foi tão rápido e agora, depois de 30 anos, eles ainda estão tão presentes’”, declarou.

O acidente
Eram pouco mais de 23h do dia 2 de março de 1996 quando os pais de Dinho já estavam no Aeroporto de Guarulhos esperando pela banda. Eles foram informados que a aeronave modelo LR-25D, matrícula PT-LSD, havia sumido do radar. Os músicos retornavam de um show em Brasília, no estádio Mané Garrincha.

“Eles [equipe do aeroporto] falaram: ‘perdemos um avião’. Falei: ‘perdeu nada. Ninguém perde um avião. Um avião não é uma agulha’”, relembra Célia.

Junto do marido Hildebrando, ela foi levada a uma sala de espera, onde recebeu calmantes para tomar. “Ficamos ali até as quatro da manhã. Pânico total. Era pânico de todos os familiares”, contou.

Somente ao amanhecer, por volta das 5h da manhã, o Brasil soube o que havia acontecido. Exatamente às 23h16 daquele 2 de março, a aeronave que transportava os Mamonas de Brasília até Guarulhos se chocou contra a Pedreira Basalto, uma área de mata fechada na Serra da Cantateira, na zona norte de São Paulo. Os destroços só começaram a ser encontrados com o raiar do sol.

O avião com espaço para oito passageiros rasgou 400 metros de mata, abriu uma clareira e ficou totalmente destruído. Além dos integrantes da banda, estavam a bordo o ajudante de palco, Isaac Souto, o segurança do grupo, Sérgio Saturnino Porto, e o piloto e co-piloto da aeronave, Jorge Germano Martins e Alberto Yoshihumi Takeda. Todos morreram no local.

“Depois foi tudo confirmado, aí virou aquele reboliço todo. A gente se via no meio de um pesadelo, na realidade”, disse Célia. Segundo ela, a repercussão do caso, ano após ano, fez com que a família “aprendesse a viver com a dor”.

No início, no entanto, a publicidade em torno do acidente apresentou obstáculos para os familiares seguirem em frente. Para Hildebrando, a dor teria “dissolvido” mais depressa se tivesse sido vivida no particular das famílias envolvidas.

Ele lembra que as músicas dos Mamonas não saiam das paradas nos 30 primeiros dias após o acidente, e que haviam emissoras de Portugal, da Espanha e da África interessadas em saber mais sobre a história do grupo.

No íntimo, a dor tocou cada familiar de uma forma diferente. Grace, por exemplo, relatou que só conseguiu ouvir Mamonas quase 20 anos após o acidente. “Durante muito tempo, lidar com o luto foi uma dificuldade muito grande pra mim. Então, até para entender que os fãs são um pedacinho do sonho dele, tudo isso… muita coisa me pressionava”, revelou.

Para a irmã mais velha dos Reoli, a dor da perda caiu como uma responsabilidade. “Com os meus pais eu senti a necessidade de dar força pra eles. Então, não pude ficar muito fraca, porque eu tinha que dar força, porque eles perderam dois filhos”, contou Sueli.

A chegada dos filhos dela, o primeiro no ano seguinte e a segunda três anos após o acidente, netos de Ito Reoli, amenizou o aperto. “Parece que veio para dar uma alegria”, disse.

A última ligação
“Agora eu sempre falo ‘eu te amo’”, disse Grace. A declaração é uma conclusão que ela tirou da vida após o trágico acidente que lhe tirou o irmão.

Dinho ligou para a caçula momentos antes de entrar embarcar em Brasília, rumo a Guarulhos, após aquele que foi o último show dos Mamonas Assassinas. Grace descreveu o diálogo rápido:

Dinho: Cadê o pai?
Grace: Não tá, ele saiu.
Dinho: Que horas ele vai me buscar [no aeroporto]?
Grace: 23h.
Dinho: Tá bom, beijo.
Grace: Beijo.

“A gente nunca sabe a última oportunidade de dizer um eu te amo, e depois disso eu aprendi do jeito mais difícil”, disse.

Com informações do portal Metrópoles

Tags: artistasfamososMamonas Assassinassucessotragédia
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